Acabo de passar por uma das mais bizarras situações que poderia ter imaginado. A quem pertence o direito de lutar pela cultura? A nós, fabricantes e perpetuadores desta formadora de seres e opiniões? Infelizmente não. A tarefa de lutar pela cultura cabe àqueles que a usurpam da pior forma. Retirando dela o poder de transformação. Estamos de volta ao estado do provincianato. Somos um Estado provinciano. Admitamos. Qual é a marca da cultura do Espírito Santo? Quais são nossos valores culturais? A quem é dado o direito de responder por você que busca pela cultura que forma e permeia o ser humano? Hoje houve um concerto. Magnífico. Ah!Que seria de nós sem a música para esconder a sujeira embaixo do tapete? Por alguns momentos nos esquecemos da realidade deprimente, enojante e causticante que oprime as instituições da cultura capixaba. Que diriam nossos companheiros de profissão em outros Estados se soubessem que em instituições de ensino superior públicas não existem planos de carreira no Estado? Que importa você, Doutor....tenho aqui um "gajo" que pode bem me servir sem reclamações. Isso geraria, como gera, um estampido de risadas completamente atônitas ante tal desrespeito. Surreal, de tirar o fôlego. Entendemos a política, sim, entendemos. Não aceitamos mas engolimos. Até quando? Até quando nos imprensarem contra a parede de tal modo que não poderemos mais resistir e teremos que evadir como outros colegas que não resistiram e infelizmente nos deixaram. Estão melhores que nós, e o Estado, bem, este entregue a um governo organizado, orgulhoso de seu crescimento econônimo. Onde está? Alguém já visitou o Hospital São Lucas em uma sexta-feira à noite? Caos. Alguém já teve a curiosidade de visitar uma Escola Pública? Sem coragem. Alguém anda seguro à noite? O Estado está um caos. E de que estamos rindo? Qual é a piada? Estamos indo de mal a pior. Alguém já teve a curiosidade de pesquisar quantos casos de depressão estão sendo registrados no funcionarismo público? Não? São números exorbitantes.
Voltemos à cultura. Voltemos a nossa amada orquestra, aviltada por baixos salários, políticas distorcidas e sem plano de carreira ou enquadramento por titulação. Voltemos à nossa Faculdade de Música! Quanta produção musical! Quantos talentos! Quantos holofotes!!! E nenhum respeito pelo trabalho do professor por parte do governo. Sem enquadramento, o que significa dizer que você pode ter passado anos e anos estudando por sua conta, que isto se frise, e não ter nenhum reconhecimento por isso. Somente a usurpação do seu diploma para se tornar estatística.
Estou indignada. Estou enojada. Espírito Santo, ame-o ou deixe-o. Muitos já foram. Quantos miseráveis ainda seremos defendendo este forte que há muito foi conquistado por aqueles que enxergam a cultura e a educação como acessório? Infelizmente esta é a visão do Espírito Santo lá fora. Na foto, orquestra bonita....e no resto? Quem vai apagar a luz? A ignorância é abençoada pelos políticos que encontram na massa desorganizada e inculta um veículo fácil de manipulação.
Não sei se alguém chegará a ler isto mas se ler, informe-se. Os músicos da orquestra pedem ajuda. Os professores da Faculdade de Música pedem ajuda. Conscientizem-se da realidade. Por fora, uma linda imagem. Por dentro, uma maçã podre.
Por Paula Galama
Aqui há um alto índice de desmotivação entre os músicos em geral. Falta de apoio para mostrar seus trabalhos é um dos motivos.
ReplyDeleteEnquanto a situação não muda vamos perdendo os grandes talentos que temos aqui e que não param de surgir, porque todos querem uma vida melhor.