Monday, January 3, 2011

Breathtaking


Hoje, primeira semana do ano, primeira segunda-feira do ano. Devo dizer que esta experiência de escrever um blog é terrivelmente assustadora por um lado. Gostaria de escrever sobre coisas que passam pela minha mente, pela minha emoção, por um completo discernimento do que deve ser mostrado e o que deve ser guardado, na intimidade. Para alguns, intimidade também passou a ser uma palavra assustadora. Para outros deixou de ser aquilo que, de direito, pertence só a você para ser algo que, de acordo com os padrões atuais de cultura, convencionou-se ser de domínio público. Então eis-me aqui. Nenhuma ligação com a literatura. Apenas a vontade de expor minhas idéias. Profissionalmente eu as farei em outro blog mas este...bem, tinha que ser diferente.


Quando criei este blog, criei por acaso, literalmente. Acredite. Cliquei em um ícone....e lá estava ele, criado, moldado, impossível de ser desfeito, quase uma gravidez indesejada. Tão fácil de existir...quase impossível de desfazer. Que nome dar a um filho que foi um acidente de percurso? Que futuro escolher para ele? Seguirá ele meus passos pessoais, ou minha carreira? Seré ele um molde de mim mesmo? Creio que não. Mas pensei...já que ele existe, por que não?Aqui não morrerá!


Breathtaking....foi o título que escolhi depois de um outro título muito sui generis de "política do desespero". 2011 cá está. A política do desespero está instaurada na solidão daqueles que choram miseravelmente por migalhas e esmolas nas ruas...política...ato de barganhar por alguma coisa. Troca-se a dor por qualquer paleativo que possa aplacar o estômago. Esta mesma política está plantada em cada árvore que derrubamos que pede em troca deixemos que nasçam suas sementes em troca de sua madeira. Está aviltosamente cravada em cada pedra de crack que é trocada, em nome do desespero. E a política...normal....trocam-se favores por dinheiro, dinheiro por outros favores....por favor, lavem suas cuecas...se há que haver troca, que pelo menos seja higiênica.


É de tirar o fôlego. A política do desespero pelo menos tem um fundo de honestidade. A troca é em função da sobrevivência...mas e quem não tem o que trocar? E quem não tem poder de barganha? E quem não entende nada de política? Este recorre a outro tipo de política do desespero sem o saber. A política religiosa. Certa vez, li que todos os lugares onde as pessoas se reúnem em nome de Deus são abençoados. Ah..me lembrei do Sermão da Montanha...."vinde a mim os fracos e oprimidos..." e quantos fracos e oprimidos tem praticado a política do desespero sem o saber...


Mas não cliquei naquele ícone pensando em política. Por um momento pensei que poderia expor minhas frustrações mas agora penso que não quero aderir `a política do desespero. Quero me dar o luxo de falar de uma nova política: a politica da razão, do bom senso. E em minha opinião, a política da razão está profundamente ligada ao que sei mas não ao que aprendi nos livros, nas escolas, nos estudos. Está ligada sim, à vida, às minhas experiências, falhas, erros, sucessos, como esposa, como filha, como irmã, como amiga. Esta política me dá forças, não para barganhar mas para renunciar. Renunciar às minhas escolhas ruins, renunciar à palavra desejada antes que seja proferida, renunciar, mesmo que a política do desespero fale mais alto porque assim sim, estarei exercendo uma outra política: a política cristã, ou a política do livre arbítrio. Somos livres, você sabia?


É de tirar o fôlego, realmente, escolher das duas formas. Uma, retira seu fôlego, causando a hibernação do que há de bom em você. A outra, lhe retira o fôlego, com certeza, mas por enchê-lo de um amor incondicional que só a experiência da renúncia pode lhe dar.


Experimente ficar sem fôlego uma única vez por renunciar àquilo que lhe cega os olhos e o espírito. Garanto a você que quando respirar de novo, será como encher seu pulmões de um ar fresco, revigorado, que renovará você por inteiro!


Breathtaking....




Por Paula Galama