Se quem ler este texto tiver a oportunidade de ler o primeiro texto publicado, vai perceber que a intenção de criar este blog nada tinha de confrontamento ou tentativa de mobilização. Era somente uma experiência em expor alguns pensamentos. Nunca me veio a ideia de que este blog poderia se transformar em uma ferramenta.
Quando a minha raiva teve que ser expelida de algum modo, me voltei para esta ferramenta e literalmente descarrequei aqui a minha frustração. Esta atitute me fez repassar mais vividamente todos estes tormentos impostos por esta política anti-cultural que experimentamos. O fato de transcrevê-la me faz repensa-la mais e mais. Os comentários me fazem reforçar a teoria de que meu pensamento não está incorreto, ou ilógico. É lógico que se nada acontece pelas vias legais do governo, este é um sinal claro de que o governo não demostra interesse em desenvolver uma política cultural sólida ou sustentada que permita que o Estado do Espírito Santo desenvolva um tradição cultural dentro de suas capacidades. Estranho um projeto como o do Cais das Artes não contemplar uma sala de ensaio para a orquestra em sua primeira maquete. Depois de tantos anos lutando por uma sede, finalmente houve a luz providencial do governo...O Cais das Artes...Qual não foi a surpresa daqueles que foram à exposição da primeira maquete e não encontraram ali um espaço reservado para a orquestra? Corrijam-me se eu estiver errada.
Que tradição cultural é esta que pretendemos expandir?
Eu gostaria que alguém me apontasse um edital aprovado relativo à música erudita na SECULT. Até onde eu pude constatar, nenhum. Por favor me corrijam e me digam que estou errada. Desejo estar enganada. Desejo estar vendo o cenário com olhos pessimistas quando deveria enxergar outros critérios....Alguém me corrija...
Me indigna a não manifestação da indignação de muitos daqueles que me rodeiam. Somos todos conscientes do problema. Vejo meus colegas ao redor e todos eles tem o mesmo rosto de desilusão, desapontamento, frustração. Discutia com algumas pessoas a minha atual condição. Talvez eu leve tudo muito a sério e, como disse uma das minhas colegas de trabalho, não aprendi ainda a apertar o botão do "foda-se".
É interessante... uma vez me disseram que ter um problema é um bom sinal pois se existe um problema existe uma solução. Mas se não é um problema, é um fato consumado, impossível de ser desfeito ou refeito. É passado imutável. Isto eu sou capaz de aceitar. Sou capaz de aceitar aquilo que não posso mudar. Mas me corrói não conseguir resolver as coisas passíveis de solução que somente não chegam a uma conclusão por falta de mobilização, por falta de idealismo, disciplina e por falta de vontade política. Não me vejo diferente hoje de um peão que trabalha por sua ração diária e umas poucas moedas no fim da semana.
Quando foi que paramos de pensar? Quando foi que paramos de acreditar que nossas ações tem valor? Quando foi que nos deixamos desvalorizar a este ponto? Será que fomos todos tão traumatizados assim pelas ações criminosas que tomaram ex-governadores que hoje consideramos o fato de sermos pagos em dia uma dádiva maravilhosa do governo para com seus empregados? Até onde eu sei, diz a legislação que o empregador é obrigado a pagar o salário até o quinto dia útil do mês. Então o governo não faz um favor a nenhum de nós pagando em dia. Ele cumpre a lei. A "calçada cidadã" (que mais atrapalha o deficiente) não é um presente do governo. É o cumprimento da Lei!
Talvez não tenhamos mais esperança que um dia as coisas melhorem e todos nós tenhamos que abandonar os nossos empregos. Talvez isto ocorra. Mas até lá, este canal continuará aberto e em discussão. Siga o Blog. Colabore sendo um seguidor e postando seu comentário. Só assim conseguiremos mobilizar a opinião pública. Passem adiante a ideia e postem aqui as suas ideias. Somente juntos conseguiremos pressionar uma posição por parte do governo.
A saber, tenho acompanhado a audiência do blog e fico feliz em ver que ele tem sido acessado por pessoas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Canadá. Acho que vou começar a transcrever os textos em inglês. Assim teremos mais alcance.
Que será que pensarão os senhores Secretários da Educação e da Cultura ao saber que sua reputação tem sido carreada tão longinguamente?
O Blog está aberto.
descreva sua imaginação, descreva a amplitude dos seus sonhos... limites? quais são eles? queremos ultrapassar nossos limites...
Thursday, July 14, 2011
Tuesday, July 5, 2011
O que será do amanhã?
Tomou-me um certo assombro quando li o comentário do meu amigo Antônio Marcos Cardoso ao último texto postado no blog. Tive que me recompor. Me senti sem chão, jogada a uma realidade da qual não posso fugir. Bravo e indômito foi o Tonico. Desbravou fora da “ilha” e descobriu um mundo novo. Nós, aqui ancorados, vez por outra navegamos para fora, refazemos nossos ares e nossas energias e voltamos, esperando pelo menos manter a nossa sanidade. Infelizmente seu comentário me atingiu de uma forma que acredito nem mesmo ele esperava. Escrevi-lhe contando a minha reação e ele na sua generosidade usual me explicou mais detalhadamente seu ponto de vista. Basicamente ele resumiu seu comentário em uma frase: “o Espírito Santo não merece você!”
Entendi suas colocações e concordo com elas. O Espírito Santo não nos merece. A todos nós que não podendo sair, ficamos, brava gente brasileira. Quanto a mim, o Estado não merece os esforços que fiz para estudar, não merece os esforços que faço para divulgar o nome da cultura capixaba fora da “ilha”, não merece as defesas que faço quando tenho que vergonhosamente explicar a situação em que nos encontramos, nós, profissionais da cultura capixaba institucionalizada. Pior, o Estado não nos quer. Somos considerados pesos mortos. Acho que já ouvi uma expressão pior que esta: “somos a carcaça...mas não há cestas de lixo em volta...” infelizmente não lembro quem me disse isto. Não posso conter o riso quando penso nesta expressão. Então o governo tem consciência ecológica????
Acompanhamos ano passado a mudança de governo. Esta era a desculpa para não chegarmos ao final de uma negociação. Deveríamos esperar. Era necessário esperar...afinal quem já esperou por dezessete anos pode esperar por mais um....
Este ano estamos no impasse dos royalties. Tudo está sendo cortado. Corta-se aqui e ali mas não se cortam as regalias... Mas... incrível, ninguém conhece mesmo o Espírito Santo, como bem disse o nosso amigo no seu comentário, e infelizmente é verdade. Esta semana acompanhando as discussões sobre a questão dos royalties, vi que se falava muito dos três estados envolvidos. Falou-se extensivamente dos danos que seriam causados a Sergipe e ao Rio de Janeiro. Não se citou o nome do Estado do Espírito Santo. Então, talvez, para a mídia nacional vamos muito bem, obrigada!!! Então porque o impasse??
Muito bem dita a fala do nosso amigo: “sejamos idealistas com os nossos ideais, não com a falta de ideia dos que nos governam.”
Mudemos um pouco o foco e acredito que me farei mais clara quanto ao que quero dizer. Meu pai, homem sábio, da altura de seus 83 anos, viveu a Segunda Grande Guerra na pele. Fugiu, se escondeu, passou fome, desespero, medo, perdeu seu pai em uma atitude totalmente desumana, o que é redundante. O que é humano na guerra e ao mesmo tempo que seriam dos humanos se não fossem as guerras....deixo isto pros historiadores, mas enfim. Questiono meu pai muitas vezes sobre a guerra. Quero lembrar, quero não ter que esquecer os fatos ouvidos de uma fonte que viveu a História. Não para rememorar o sofrimento mas para que a lembrança persista para que o erro não ocorra novamente. Quero saber de quem esteve lá, se escondeu em meio aos porcos e enfrentou os soldados alemães por comida com apenas 15 anos de idade, sendo o mais velho de 6 filhos. Quero saber a verdade, e não o que está nos livros de História.
Me lembro que costumava perguntar a ele por que o resto de sua família não veio para o Brasil com ele e decidiu ficar trabalhando quase somente por comida depois da guerra, passando grandes necessidades...e ele, pacientemente me respondia. “Por que alguém tinha que ficar. O país precisava ser reconstruído. Não havia dinheiro para pagar salários e não havia ajuda internacional suficiente. Então alguns tinham que ir mas outros tinham que ficar. Quando eu saí, deixei de ser uma boca a mais para alimentar.” Eu continuava perguntando porque não foram embora, pra qualquer lugar...e ele de novo respondia: “porque haviam os filhos das gerações perdidas, e os filhos dos filhos....o país tinha que ser reconstruído PARA ELES.”
Meu pai sempre traça paralelos muito claros sobre as diferenças culturais entre os povos. Ele sempre dizia que os Holandeses pensavam no futuro das próximas gerações, assim como os japoneses, tanto que estes, na época da guerra, deram seu próprio sangue para reconstruir o país. E o entristecia o fato de ver um povo como o brasileiro ser tão imediatista. Ou seja, se não posso ver o resultado a curto prazo, então por que fazer? Enquanto os japoneses plantam árvores para que sejam vistas pelas próximas gerações, nosso governo não incentiva devidamente o reflorestamento e a proteção da Amazônia. Para quê? Ele não se beneficiará disto! E isto é só um pequeno exemplo. Não quero entrar neste mérito que, por si só gera uma discussão à parte.
Voltemos ao porque da insistência em melhorar as condições da cultura no Espírito Santo.
Muito bem dita a fala do nosso amigo: “sejamos idealistas com os nossos ideais, não com a falta de ideia dos que nos governam.”
Mudemos um pouco o foco e acredito que me farei mais clara quanto ao que quero dizer. Meu pai, homem sábio, da altura de seus 83 anos, viveu a Segunda Grande Guerra na pele. Fugiu, se escondeu, passou fome, desespero, medo, perdeu seu pai em uma atitude totalmente desumana, o que é redundante. O que é humano na guerra e ao mesmo tempo que seriam dos humanos se não fossem as guerras....deixo isto pros historiadores, mas enfim. Questiono meu pai muitas vezes sobre a guerra. Quero lembrar, quero não ter que esquecer os fatos ouvidos de uma fonte que viveu a História. Não para rememorar o sofrimento mas para que a lembrança persista para que o erro não ocorra novamente. Quero saber de quem esteve lá, se escondeu em meio aos porcos e enfrentou os soldados alemães por comida com apenas 15 anos de idade, sendo o mais velho de 6 filhos. Quero saber a verdade, e não o que está nos livros de História.
Me lembro que costumava perguntar a ele por que o resto de sua família não veio para o Brasil com ele e decidiu ficar trabalhando quase somente por comida depois da guerra, passando grandes necessidades...e ele, pacientemente me respondia. “Por que alguém tinha que ficar. O país precisava ser reconstruído. Não havia dinheiro para pagar salários e não havia ajuda internacional suficiente. Então alguns tinham que ir mas outros tinham que ficar. Quando eu saí, deixei de ser uma boca a mais para alimentar.” Eu continuava perguntando porque não foram embora, pra qualquer lugar...e ele de novo respondia: “porque haviam os filhos das gerações perdidas, e os filhos dos filhos....o país tinha que ser reconstruído PARA ELES.”
Meu pai sempre traça paralelos muito claros sobre as diferenças culturais entre os povos. Ele sempre dizia que os Holandeses pensavam no futuro das próximas gerações, assim como os japoneses, tanto que estes, na época da guerra, deram seu próprio sangue para reconstruir o país. E o entristecia o fato de ver um povo como o brasileiro ser tão imediatista. Ou seja, se não posso ver o resultado a curto prazo, então por que fazer? Enquanto os japoneses plantam árvores para que sejam vistas pelas próximas gerações, nosso governo não incentiva devidamente o reflorestamento e a proteção da Amazônia. Para quê? Ele não se beneficiará disto! E isto é só um pequeno exemplo. Não quero entrar neste mérito que, por si só gera uma discussão à parte.
Voltemos ao porque da insistência em melhorar as condições da cultura no Espírito Santo.
Eu quero saber que meus sobrinhos terão uma melhor educação e uma melhor bagagem cultural. Eu quero ter certeza que os meus alunos terão um mercado de trabalho à altura da sua capacidade. Eu quero plantar uma semente que vingará e não morrerá, como todas as outras que plantamos até agora porque atingiram um solo infértil, inóspito e às vezes até hostil por parte do governo. Eu quero uma próxima geração melhor que a minha. Quero melhores condições para eles. Eu quero evoluir e não me encouraçar neste lodaçal lamacento em que se transformou a cultura institucionalizada do Espírito Santo.
Eu quero fazer parte de uma geração que constrói para o futuro, e para que isto aconteça temos que mudar agora. Eu quero colocar o Espírito Santo no mapa da cultura brasileira, mas para isto, é necessário o empenho de todos. Da nossa parte todo o empenho tem sido feito. Infelizmente não há empenho das instituições governamentais responsáveis pela cultura do Espírito Santo. Não há vontade política em resolver a questão por ser uma questão que aparentemente em nada beneficiará a política do Estado, uma vez que cultura, na visão política a que estamos submetidos, não é valor. Valor é algo que se esconde nas cuecas, lembram-se? Que vergonha! Podiam ter pelo menos higiene estes aí! Mas se não se tem vergonha....terão o quê? Valor é a troca insana e vergonhosa de favores que beira o ridículo. Denúncias expostas todo dia! Valor é aquilo que a ilusão lhes oferece como bem perpétuo.
Meus senhores, sinto dizer-lhes mas todos os vossos esforços em nada resultarão porque desta vida só levarão as vossas consciências, e devo lembrar-lhes, ela em nada se parece com o grilo falante!!!
Eu quero fazer parte de uma geração que constrói para o futuro, e para que isto aconteça temos que mudar agora. Eu quero colocar o Espírito Santo no mapa da cultura brasileira, mas para isto, é necessário o empenho de todos. Da nossa parte todo o empenho tem sido feito. Infelizmente não há empenho das instituições governamentais responsáveis pela cultura do Espírito Santo. Não há vontade política em resolver a questão por ser uma questão que aparentemente em nada beneficiará a política do Estado, uma vez que cultura, na visão política a que estamos submetidos, não é valor. Valor é algo que se esconde nas cuecas, lembram-se? Que vergonha! Podiam ter pelo menos higiene estes aí! Mas se não se tem vergonha....terão o quê? Valor é a troca insana e vergonhosa de favores que beira o ridículo. Denúncias expostas todo dia! Valor é aquilo que a ilusão lhes oferece como bem perpétuo.
Meus senhores, sinto dizer-lhes mas todos os vossos esforços em nada resultarão porque desta vida só levarão as vossas consciências, e devo lembrar-lhes, ela em nada se parece com o grilo falante!!!
Subscribe to:
Posts (Atom)